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Sim, eu vou pra Abu Dhabi torcer pelo tricolor no Mundial!!! 🙋😄💙🇪🇪⚽️

Prometo dar notícias de lá aqui no blog, mas como estou muito atrapalhada, correndo pra organizar tudo e poder viajar, o texto de partida vai ser esse lindo que recebi de uma amiga:

“Grêmio, meu Grêmio de Futebol Porto Alegrense, da velha Azenha e do estimado Olímpico Monumental, até a Arena do Humaitá.

Qual tua áurea, futebol, que permite uma explosão de felicidade sem composturas, totalmente genuína? Esquecemos de tudo na hora do gol, quando gritamos campeões, quando a bola tremula a rede da goleira e nos transcende de emoção. Quando torcemos com todas as nossas forças. Somos todos iguais, abraçamos quem quer que esteja ao nosso lado. O que tu tens, futebol? Qual teu fascínio?

Algumas peculiaridades suas talvez expliquem isso. Para cada torcedor, ele traz uma lembrança que se mistura com as suas memórias mais íntimas. E assim vai se formando um amor incondicional, uma emoção que nos faz chorar lágrimas de alegria, gritar sem limites, pular, sofrer, viver, ser. Grande parte de nós, amantes do futebol, para sentir assim, cresceu com isso. Somos isso. E isso, no caso, é o Grêmio.

Nos meus registros mais antigos, está meu velho pai me dando uma camiseta retrô do Renato Gaúcho, do épico 1983. Incluem ele levando eu e a minha irmã ao Olímpico, nos cuidando com seus braços de polvo. Depois, com meu irmão tão pequeno, e meu pai com seu rádio grande de pilha. Buscava cachorro-quente na hora do intervalo, e comíamos nas duras cadeiras do Olímpico Monumental; tudo tão simples, tudo tão gigante. Pegávamos o carro no mesmo lugar de sempre, ouvindo a rádio gaúcha na volta. Eu adorava a reprise da narração do gol. Muito fomos eu, meu mano e meu pai. Nosso time. Depois, vi ele repetir tudo isso com seu neto . Ah, quantas lindas memórias que, como sói faz o futebol, enchem-me os olhos de lágrimas. Onde meu velho aprendeu isso? Quais são os registros dele? Ele também os tem, certamente. Esse é o encantamento. Fui aprendendo a te amar, Grêmio. É meu, faz parte de mim.

Desci a avalanche com meu irmão, nos olhando de soslaio para não nos perdermos nos degraus das arquibancadas do Olímpico Monumental; nos atiramos no chão na batalha dos aflitos e, juntos, assistimos atônitos um milagre diante de nossos olhos. A emoção do futebol embaça aqui minhas memórias, que a partir daí só registram bem nós descendo a rua 24 de outubro, nossa gigante bandeira tremulando nos ventos da cidade do imortal tricolor. Coisas do futebol.

No futebol, compartilhamos o amor. A torcida. A tristeza e a alegria. Não é assim que tem que ser? Não é assim que devemos nos relacionar? Acho que entendi sua áurea.
Obrigada, Grêmio. De fato, tu é a alegria, em meu coração.”

Flávia Faermann
Porto Alegre, capital da América