Eu trocaria o Barcelona pelo PSG e provavelmente tu também. Pensei razoavelmente sobre isso e cheguei a me pegar quase tuitando “To chegando com os refri, rapaziada” ao me colocar no lugar do guri. Nesse desvairado e divertido exercício de empatia, que aconselho que todos façam, descobri que tenho muito mais em comum com o Neymar do que julgaria possível a minha conta bancária.

Seja qual for a razão verdadeira do Neymar ter protagonizado a maior transação do futebol mundial, já me utilizei de todas para trocar de emprego, dadas as devidas proporções. Junta isso ao problema na aceitação capilar e somos praticamente a mesma pessoa.

Desafio e oportunidade: Eu já troquei um emprego em Porto Alegre por um em São Leopoldo pela mesma razão. A BR116 é a constipação da região metropolitana e eu me propus a enfrentar essa prisão de ventre duas vezes ao dia, única e exclusivamente pela oportunidade. Agora imagina se eu não ia trocar Barcelona por Paris. Trocava até se tivesse que ir a pé. Posso julgar o Neymar? Não.

Maior salário: Ok, já saí de uma firma para outra pra ganhar menos e tentar ser mais feliz. Mas tem uma certa hora da vida que é meio complicado ser mais feliz com os boletos chegando e, infelizmente, os bancos e o Zaffari ainda não aceitando sorrisos e abraços como forma de pagamento. Essa é a hora do “quem pagar mais, leva.”. E serve, inclusive, por 5 pila a mais no VR. Se tem uma pessoa que não deve ter problemas com boletos é o Neymar, mas posso julgar? Não.

Protagonismo: Eu juro que aqui, nesse tópico, me imaginei numa festinha com o Messi e, principalmente com o Piquè (que abençoado seja). Numa festinha, não teria parças melhores. Agora imagina tu saber que por mais gênio que tu seja, nunca vai chegar ao nível de Messi. Neymar jamais seria o jogador principal do Barça. No PSG ele é rei. Aqui é uma questão de ego e cada um que lide com o seu. Já tive dificuldade em lidar com o meu e me resolvi bem, mas nenhum dos meus problemas envolviam um ET como companheiro de firma. Posso julgar o Neymar? Não.

Foi Deus quem me colocou aqui: Profissionalmente falando, nunca pensei nisso. Mas confesso que pensei quando encontrei e consegui conversar com o Espinosa no saguão da faculdade. Posso julgar a declaração? Não.

A lenga lenga descrita acima serviu pra que eu mesma pensasse de maneira menos hipócrita sobre o assunto. Somos todos interesseiros, seja qual for a modalidade do interesse. A diferença da minha história com a do Neymar é que não lido com o mais passional dos esportes do mundo. Não julgo o Neymar, acho que ninguém deveria fazer isso. Mas também não posso julgar o magoado torcedor do Barcelona, a quem eu deixo um alento: ao menos vocês não precisaram retirar as caixas de som.