Lá vai mais um Filho de Francisco

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Por Ellen Saraiva em Gremistas

Se o Luan chegar cantando em seu novo clube, sugiro que cante: “E o olhar da Ellen Saraiva na porta eu deixei chorando a me abençoar”. Lá se vai mais um jogador de alta qualidade para fora do Brasil. Não é de hoje que não temos mais a menor condição de segurar os nossos filhos sedentos por realização, sucesso e dinheiro dentro da nossa casa. O futebol brasileiro virou o Francisco, porém com bem mais que dois filhos. A consequências dessas precoces partidas é que sofremos com a falta de craques. Futebol meio pau/meio tijolo, com pouquíssimos jogadores diferenciados que duram no máximo duas temporadas de alto rendimento jogando por aqui. Ficam até que alguém venha e NHOC: leve nossos pequenos, a quem formamos no barro jogando os campeonatos estaduais (esse aqui é o ovo cru do futebol e acontece no país todo).

Esse fenômeno da revoada dos passarinhos que querem voar vem acontecendo cada vez mais cedo na vida dos jogadores. Já já veremos pré-contratos com o Barcelona sendo assinados em nome de embriões que ainda nem foram fecundados (nesse caso, me coloco à disposição do clube Catalão). Vinícius Júnior, do Flamengo, foi pego pelo Real Madrid ali, saindo da creche. Philippe Coutinho estava jogando tazos e vendo Bambuluá quando foi levado pela Internazionale. Eu com 16 anos estava me atirando no fosso do Olímpico e eles lá, com o futuro decidido. Pensando por esse lado, tivemos sorte de contar com o Luan até agora. Aos 24 anos ele é praticamente um profissional de meia idade em um cruel mundo onde Zé Roberto, jogando aos 43 anos, é a exceção e chamado, VEJA BEM, de vovô tendo menos de dez anos a mais que eu (aqui bateu uma bad). Mal temos tempo de aproveitar nossos jogadores.

Eles sempre vão embora, e sempre irão. Enquanto não tivermos o dinheiro, a organização e a relevância do futebol europeu vai ser assim. Deixamos de ser o país do futebol para sermos tão somente fornecedor de craques, e isso é um tanto quanto triste. Aceitamos porque não temos o que fazer, eles vão embora. Sofreremos sempre com a partida de cada um deles, também não podemos evitar esse sentimento. Continuaremos aqui, apostando todas as nossas fichas de orelhão nos nossos novos craques, mesmo sabendo que em seguida vão ser felizes em outro lugar. A síndrome de vira-lata é tanta que sentimos até uma ponta de orgulho disso. Esse nosso altruísmo (mesmo que involuntário) só pode ser comparado com o altruísmo das mães e, cá entre nós, é o que somos nesse sentido.

Não criamos jogadores para nós, criamos para o mundo.

Neymar optou pelo $ e pelo desafio: essa decisão é realmente criticável?

Por Mariana Bacaltchuk em Gremistas

Nessa semana o assunto futebolístico que deu bafafá foi a transferência do Neymar pro PSG. Foi a transferência mais cara do futebol mundial, 222 milhões de euros de multa rescisória, paga ao Barcelona por um sheik do Qatar que é dono do clube parisiense – e que nem achou o Neymar caro!

Mas o bafafá não foi só pelo valor. Essa transferência foi questionada por muitos, até mesmo pela Liga Espanhola, que diz que o pagamento da multa milionária infringe o Fair Play financeiro entre clubes.

Neymar também tem sido tachado de mercenário por muita gente. Eu acho que antes de julgar a decisão do jogador a gente tem de se colocar no lugar dele. É difícil, afinal é uma realidade muito diferente da maioria das nossas. Mas temos de tentar, antes de criticar.

Deixando de lado a questão da quantia absurda de $ que ele vai ganhar como salário, 30 milhões de euros por mês LÍQUIDOS, um valor que mexe com qualquer um, na minha opinião ele ficou entre a cruz e a espada: ficar jogando num dos melhores clubes e elencos do mundo, só que sendo mais um dos vários protagonistas de um time que já é protagonista por si só, valorizado no mesmo nível – altíssimo – de outros jogadores do Barça, mas sempre atrás de Lionel Messi, ou ir pra um time que não é tão relevante no cenário europeu há anos e ser O PROTAGONISTA, arriscando sua posição de jogador de destaque em time de vitrine na Europa, mas com chance de ser eleito o melhor do mundo caso consiga fazer a equipe francesa voltar a se destacar. É um baita dilema.

Mas ele optou pelo $ e pelo desafio. Essa decisão é realmente criticável?

Se você acha que sim, se console com o fato de que ele vai ter de jogar o campeonato francês! 😛
Eu, particularmente, curti ver o Barcelona chorando as pitangas porque pagaram uma fortuna e levaram um dos melhores jogadores deles embora. Me senti um pouco vingada, por todos nós, pobres brasileiros que amam futebol e vemos isso acontecendo com nossos clubes toda vez que abre a maldita janela.  Pimenta nos olhos dos outros é refresco, né, Barcelona?! Pena que não foi o contrário, o PSG tomando essa rasteira. Nem preciso explicar o porque desse desejo, neam? 😉

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Tentei julgar o Neymar

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Por Ellen Saraiva em Gremistas

Eu trocaria o Barcelona pelo PSG e provavelmente tu também. Pensei razoavelmente sobre isso e cheguei a me pegar quase tuitando “To chegando com os refri, rapaziada” ao me colocar no lugar do guri. Nesse desvairado e divertido exercício de empatia, que aconselho que todos façam, descobri que tenho muito mais em comum com o Neymar do que julgaria possível a minha conta bancária.

Seja qual for a razão verdadeira do Neymar ter protagonizado a maior transação do futebol mundial, já me utilizei de todas para trocar de emprego, dadas as devidas proporções. Junta isso ao problema na aceitação capilar e somos praticamente a mesma pessoa.

Desafio e oportunidade: Eu já troquei um emprego em Porto Alegre por um em São Leopoldo pela mesma razão. A BR116 é a constipação da região metropolitana e eu me propus a enfrentar essa prisão de ventre duas vezes ao dia, única e exclusivamente pela oportunidade. Agora imagina se eu não ia trocar Barcelona por Paris. Trocava até se tivesse que ir a pé. Posso julgar o Neymar? Não.

Maior salário: Ok, já saí de uma firma para outra pra ganhar menos e tentar ser mais feliz. Mas tem uma certa hora da vida que é meio complicado ser mais feliz com os boletos chegando e, infelizmente, os bancos e o Zaffari ainda não aceitando sorrisos e abraços como forma de pagamento. Essa é a hora do “quem pagar mais, leva.”. E serve, inclusive, por 5 pila a mais no VR. Se tem uma pessoa que não deve ter problemas com boletos é o Neymar, mas posso julgar? Não.

Protagonismo: Eu juro que aqui, nesse tópico, me imaginei numa festinha com o Messi e, principalmente com o Piquè (que abençoado seja). Numa festinha, não teria parças melhores. Agora imagina tu saber que por mais gênio que tu seja, nunca vai chegar ao nível de Messi. Neymar jamais seria o jogador principal do Barça. No PSG ele é rei. Aqui é uma questão de ego e cada um que lide com o seu. Já tive dificuldade em lidar com o meu e me resolvi bem, mas nenhum dos meus problemas envolviam um ET como companheiro de firma. Posso julgar o Neymar? Não.

Foi Deus quem me colocou aqui: Profissionalmente falando, nunca pensei nisso. Mas confesso que pensei quando encontrei e consegui conversar com o Espinosa no saguão da faculdade. Posso julgar a declaração? Não.

A lenga lenga descrita acima serviu pra que eu mesma pensasse de maneira menos hipócrita sobre o assunto. Somos todos interesseiros, seja qual for a modalidade do interesse. A diferença da minha história com a do Neymar é que não lido com o mais passional dos esportes do mundo. Não julgo o Neymar, acho que ninguém deveria fazer isso. Mas também não posso julgar o magoado torcedor do Barcelona, a quem eu deixo um alento: ao menos vocês não precisaram retirar as caixas de som.

Tá tudo bem, nós que estamos mal acostumados

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Por Ellen Saraiva em Gremistas

Foram tantas tamancas atiradas em direção à TV que hoje cá estou eu andando com um chinelo de cada par. Envaretei de uma tal forma com o resultado de ontem que, por mim, passaria dois turnos ininterruptos destratando o árbitro e os desleais jogadores do Santos. O “Seu Juiz” destrataria até um pouco mais. Fraco, sem critério, arregão e quiçá com a revisão oftalmológica atrasada. Ruim, mesmo.

Mas a verdade é que nós, gremistas, nos acostumamos mal. Aqui na minha descompensada cabeça, esse é um time que joga tão bonito que qualquer placar menor que 8×0 pra nós não faria justiça ao futebol apresentado. E o 1×1 não fez. Santos fez o gol na única chance que teve. O Grêmio fez um só das 13.347 oportunidades que teve no primeiro tempo. Na segunda etapa, o Santos resolveu estacionar dois ônibus pra proteger seu campo e começou a bater tanto ~nos guri~ que eu tava vendo que já já ia voar balinha-chicle-pirulito do Luan, tal qual o nosso 7 fosse uma piñata. Não tem justiça, normal do futebol.

Empatamos. O resultado não refletiu o que foi o jogo, e isso acontece. Só ficamos ainda mais frustrados porque tínhamos a possibilidade de diminuir a vantagem do Corinthians, que tenho certeza que ganhou um cramuiãozinho do Zé Inocêncio no começo do campeonato. Mas tá tudo bem. Jogamos bem, o Santos é o terceiro colocado, retrancou e conseguiu nos frear. Vida que segue, sem crise, sem polêmica.

Para concluir, digo que eu mesma estou tentando me convencer de tudo que escrevi ali em cima. Eu permaneço envaretada com o juiz, com o antijogo do Santos, com o goleiro deles. Tão envaretada que termino aqui, chateada e com um chinelo só no pé.

A história de um amuleto

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Por Ellen Saraiva em Gremistas

Na iminência de encontrar um ídolo eu sempre repito mentalmente “Calma, Ellen, ele é uma pessoa normal”. Pfff. Não adianta nada. Não consigo assimilar e absorver que uma pessoa que cruzava pro Jardel daquele jeito é uma pessoa normal. Aquela pessoa que fez o gol do mundial não é uma pessoa normal. Pessoas normais não dão carrinho e marcam daquele jeito.

Lá em 1997, eu tinha 16 anos e o Olímpico era minha segunda casa. Ia lá TODOS OS DIAS depois da aula. Mas ali vocês sabem, sempre tinham umas 5 mil pessoas agarradas na grade do suplementar, inclusive umas gurias gritando “LINDOOO” pro André Vieira (eu não, minha insanidade não chegava a tanto). Não era um bom lugar pra chegar tão perto dos jogadores a ponto de conseguir conversar. Mas, estando todos os dias pelo Olímpico, fiz amigos. Dentre eles, um que trabalhava na Mosqueteiro. Um dia ele me convidou pra ver o jogo dos camarotes do Olímpico. Na noite anterior eu não dormi. “VAI TER ALGUÉM LÁ!” era só o que me vinha na cabeça.

E não é que tinha mesmo? Não era qualquer um. Eu sentadinha, tímida como sempre. Ouço um zum zum zum e olho pra trás. Era ele, um dos meus amores, o Diabo Loiro, o Paulo Nunes. Levantei calmamente como se fosse ir ao banheiro e pensando no “ele é uma pessoa normal”. No meio do caminho, já de frente pra ele, apertei o botãozinho aquele chamado F*DA-SE e saí correndo como se tivesse uma barata embaixo do banco. Pra que? Me pendurar no pescoço do nosso ~ponta de lança~. Chorei, tremi, pedi autógrafo.

Ele tinha nas mãos um conjunto de abrigo de treino, que obviamente caiu em decorrência da minha abordagem um pouco efusiva. Voltei um pouco à sanidade e juntei aqueles mantos do chão. Sanidade essa que foi por água abaixo quando pensei no quanto queria aquilo e lembrei do “A tentiada é livre”, que era dito seguidamente pelo meu avô. Retomei o fôlego e mandei um “ME DÁ?” na cara dura. Um homem que estava com ele disse que era pro filho de não sei quem. “POIS AGORA É PRA FILHA DA MINHA MÃE”, repliquei. Ganhei.

Eu saí daquele jogo, que não lembro contra quem era e nem quanto foi, com uma alegria tamanha que poucas vezes experienciei na vida. Usei esse abrigo DIARIAMENTE, alternando entre a calça e o moletom durante um bom tempo. Decidi interromper o uso diário quando a calça faleceu, esfarelou. Decidi que era a hora de entender a santidade daquele pedaço de pano. O amuleto tá aqui comigo, pendurado na cadeira enquanto eu escrevo. Tá judiado, esfarrapando, mas tá comigo agora e em todo jogo decisivo que eu vou.

Dezenove anos depois, o destino resolveu promover o reencontro de nós três. Justamente no dia que nunca terminou. Era a tarde do dia 7 de dezembro, final da Copa do Brasil. Na minha caminhada despretensiosa e ansiosa no estacionamento da Arena, eu vejo ele. Igualzinho ao que sempre foi, mesma cara, mesmo jeito. Podia fardar e jogar, se quisesse. Corri de novo, como se tivesse os mesmos 16 anos mas, graças à minha (suposta) maturidade atual, consegui conversar:

– Esse moletom era teu. Tu me deu em 1997. (empolgada)
Ele pegou o moletom nas mãos, olhou saudoso, e disse:
– Não tem como a gente perder. Vamos ser campeões.
– Vamos ser campeões sim! Vamos tirar uma foto?
– Vamos. Mas pô, me devolve o moletom, aí! (risos)
– Quem dá e pede de volta fica corcunda. (com a cara amarradíssima)
Tiramos a foto. Abracei, agradeci. Ele pediu o moletom de novo (também deve ter aprendido que a tentiada é livre). Neguei, mais uma vez. Ali descobri que meu amor pelo Paulo Nunes tem um limite. Meu amor pelo Grêmio e por esse meu amuleto, não.

O reencontro.

Me ilude mais, Grêmio!

Por Mariana Bacaltchuk em Gremistas

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Não tenho muito o que escrever sobre o tricolor depois dos últimos jogos. Fora a cagada contra o Sport – achei que podia ter rolado um mistão e seríamos líderes isolados do Brasileirão – só tem o que elogiar nesse time. Não tem como não estar iludido!!! O Grêmio se ajeitou de novo no meio de campo, voltou a jogar bola e está sobrando no campo. Se não subirem no salto – e não venderem os melhores jogadores do time na janela do meio do ano – mais taças devem vir em 2017. Que ano está se armando, senhores!

Enquanto isso, 2016 não termina no aterro! Fora a lambança jurídica, que nem vou comentar, pra quem trolava que a gente comemorava vaga, restou comemorar uma atuação decente num jogo em que foram eliminados de uma competição. Ah, nada como um dia depois do outro!

Segue o baile! E bora alentar!

#vamuvamutricolor

Voltando junto com o time!

Por Mariana Bacaltchuk em Gremistas

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O Grêmio campeão da Copa do Brasil voltou? Ontem pareceu que sim.

Nesse fim de semana vimos nosso time voltar a jogar bem, depois de alguns muitos jogos em que a insegurança bateu forte. Teve muito torcedor questionando a capacidade do Renato, do grupo e, principalmente, do Luan.

Luan não vem fazendo uma boa temporada em relação a ele mesmo. Apesar de muito participativo na maioria dos jogos, seguido passa a impressão de estar desatento, segurando a bola um tempo a mais e sendo desarmado com frequência e até certa facilidade – por isso o apelido de “soneca” – e nesse último jogo perdeu 3 gols feitos. Mas ele só é especialmente cobrado pela torcida porque todo mundo sabe que ele é capaz de muito mais do que vem apresentando. É um excelente jogador em fase meia boca. Agora vem esse boato de que irá pra Europa por um dinheiro que o Grêmio nunca tinha visto antes numa venda. O que pensar? Eu particularmente acho que vai ser um Jonas 2: vamos sentir muitas saudades dele e suspirar quando ele arrasar no novo clube. Mas faz parte. Vivemos no Brasil e os clubes aqui representam bem o país: estão todos semi falidos, não tem alternativa que não seja vender jogador bom pra sobreviver. Uma tristeza…

A boa notícia do jogo de ontem foi, é claro, RaMITO, de novo arrasando na meia direita, onde tem de continuar jogando, e o meio de campo, que rendeu super bem com Michel e Arthur. Foi muito bom ver o time com o meio de novo arrumado e tendo alternativas de jogadas, portanto.

Nesse fim de semana também teve a estréia do co-irmão em La B! Como me diverti! Os colorados sangraram como nunca com as piadas que eles mesmo criaram – e cantaram – por anos! Fiquei até preocupada com alguns que até então tinham dificuldades de aceitar o rebaixamento e se agarravam no argumento de “não joguei ainda”, na esperança de um tapetão – antes tão criticado – de última hora. Mas não deu, e o primeiro rebaixado com selo “fiasco Fifa” – eles adoram a Fifa – entrou em campo pela tão temida série B. Não deu, cholorados, o jogo rolou e os gremistas rolaram também, mas de rir do esperneio de vocês!

Depois de um fim de semana excelente, só posso dizer que esse segundo semestre promete! Que o tricolor continue jogando assim. Que os vermelhos continuem “acusando” pra gente se divertir. E que mais títulos venham!

Bora alentar, tricoamigos!

 

Foto: ZH – ClicRBS

Passando vergonha no débito

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Por Ellen Saraiva em Gremistas

Se tem uma palavra que define meu sentimento hoje é CONSTRANGIMENTO. Poderia ser por tentar pagar o supermercado com o crachá de firma, mas dessa vez não é. É culpa do Grêmio. Eu não sei que zaralha aconteceu, mas de uns tempos pra cá da vontade de entrar no vestiário chutando umas porta e mandando fazer fila pra que todos, um por um, viessem conversar com a tia Ellen pra colocar um ponto final nesse langanho, antes que o pior aconteça (se é que já não aconteceu)

Aquele jogo contra o Iquique já valeu um cagaço homérico. Foi como se saísse o Real Madrid pro intervalo e voltasse o Íbis. Jesus coroado, ainda to tentando entender. Tomamos um, tomamos dois, ensaiamos várias vezes tomar o três. Não tomamos, mas saímos todos da Arena desejando uma loja de tanga na saída do jogo. Durante o jogo também podia vender com os ambulantes. “Refri, água, cueca e calcinha”. Desnecessário.

Ainda pela Libertadores tivemos o jogo contra o Guarani, em que poupamos os titulares para priorizar o Gauchão. Eu não sei muito bem quem cacetas tomou essa decisão, mas essa pessoa tem um senso de prioridade tão bom quanto o meu, e olha que eu pago a internet e esqueço de pagar a luz (só lembro quando fico sem luz E sem internet). Lembrei de uma cena do Jardel, em uma reportagem, quando ele tinha um prato bem delicia na frente e disse que esse prato era a Libertadores. O Gauchão, nessa espontânea reportagem, foi definido como o cafezinho. E é assim que tem que ser.

Então, falemos do cafezinho desse ano. O grupo do Grêmio não ta de todo ruim. Falta alguma coisinha lá que outra. Temos estrutura, dinheiro, torcida. Priorizamos o campeonato, pelo menos no discurso. Fomos com força total para os jogos contra o organizado e simpático Novo Hamburgo. Aqui é que a passação de raiva ganha níveis extremos, tipo euzinha atirando uma tamanca na tv. Olha o constrangimento que estamos passando. Olha esse sofrimento desnecessário. Uma disputa de pênaltis mais feia que gritar com a vó, que pra melhorar parecia que ia adentrar a segunda-feira. Feio demais.
Todo o mérito do mundo pro Nóia, mesmo. Chorei junto com o diretor de futebol deles, que falava sobre as dificuldades de se fazer futebol no interior. E é por isso que me sinto constrangida. Olha o tamanho do Grêmio. Olha o quão relapso foi. Olha a estrutura do Noia. Olha a garra que eles vieram.

Espero que essa eliminação do Gauchão sirva como uma sacudida do tipo EITA PORRA pro Grêmio. Caso contrário, daqui por diante vamos ter que priorizar a sorte.

Tricolor na maratona de SP!

Por Mariana Bacaltchuk em Gremistas

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Hoje não vou falar de futebol, até porque o último jogo do tricolor está trancado na boca do meu estômago sem descer até agora. Vou falar de corrida, minha segunda paixão esportiva.

Nos últimos 2 meses e meio estive treinando para correr 24km na 23a Maratona Internacional de SP, que aconteceu dia 9 de abril. Eu amo fazer esportes, jogo futebol 4 vezes por semana há 16 anos e corro há pelo menos uns 8. Já corri 3 meias maratonas, mas fazia alguns anos que tinha largado os treinos e as competições para correr somente por lazer. O convite da minha amiga Gegé, também gremistona, que se mudou pra SP há 2 anos e com quem corri a maratona de Buenos Aires e a corrida de despedida do Olímpico, foi o que me fez voltar aos treinos para correr a maior distância da minha vida, os tais 24km, 3 a mais que numa meia maratona. Um baita desafio!

A corrida foi incrível! Tinha 30 mil pessoas participando, e eu e a Gegé fizemos como em Buenos Aires: fomos correr com o manto tricolor! Na capital argentina a gente foi “homenageada” várias vezes com gritos de “Grêmio, Grêmio” pelos hermanos que estavam na torcida. Até um grito de “Mazembe” a gente ouviu, o que nos fez perder a concentração por um momento pra dar risada! Mas em SP foi diferente. Pouca gente festejou nosso fardamento. O que não nos impediu de toda vez que passava um fotógrafo agarrar o distintivo, beijar e fazer a maior festa!

Infelizmente a Gegé passou mal no meio da corrida, teve uma indigestão por conta do esforço físico, e tivemos de diminuir muito o passo pra conseguir completar a prova. Nosso tempo não foi bom, mas a gente chegou juntas, eu bem e no grito de incentivo e a Gegé no limite, mas muito guerreira! Vestindo o manto não existe desistir! Me lembrei da corrida do Monumental, onde era eu que estava passando mal, tb com dor de estômago, e quando chegou no final dos 9km, hora de entrar no estádio pra dar a gloriosa volta no gramado, a Gegé foi praticamente me carregando pra eu conseguir chegar. Foi emocionante!

Valeu, Sampa, pelo evento incrível! Valeu, Gegé, pela parceria! E valeu, Grêmio, porque quando eu visto essa camisa a superação vem!

Agora de volta às corridas de lazer, sem obrigações de tempo, distância e velocidade. E de volta às quadras pra jogar meu futebol sagrado de quase todos os dias!

PS: Não tô conseguindo entender muito bem o que está acontecendo com o time do Grêmio quando volta dos intervalos nos jogos. Esse papo do Renato de “soninho” não me desce. Estamos tratando de futebol profissional ou amador afinal? Está irritante ter de ver o time jogando assim no segundo tempo dos últimos jogos.

Adenor e a autoestima brasileira

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Por Ellen Saraiva em Gremistas

Cá estou eu, com o aluguel atrasado e ainda assim pesquisando preço de passagem aérea pra Rússia. Culpa de quem? Além da minha empolgação futebolística natural, a culpa é dele: do Adenor. Empolguei. E não empolguei sozinha.

Lembro de um tempo atrás, onde existiam os brasileiros que torciam pelas seleções que ~hablam. “Se habla, tem raça”. Já vi gente com a camiseta da Argentina e do Uruguai falando cueca-cuela. Nascidos ali, no Pinheiro. Brasileiraço, mesmo. Dá uma dor no coração, mas não os culpo. E acho que tenho uma explicação.
Pra mim, esse sentimento nada mais é do que o famoso EU NEM QUERIA MESMO. Lembro de quando eu tomava arrodião de um namoradinho no colégio e em seguida tratava de fazer de conta que não me importava. De preferência, ainda tenteava um amigo dele (peço, por favor, que meu caráter da adolescência não seja julgado). E foi isso que aconteceu com a torcida brasileira. Tomamos alguns arrodiões, nada maior que o 7×1. Saímos feridos. Trucidados. Constrangidos a ponto de fazer piada. Eu mesma tenho foto de em velório improvisado do Fuleco. Eu te amo, Felipão, mas essa ali me avariou. Veio o Dunga, só piorou. “Faltam jogadores”, diziam alguns.
Aí veio ele. Pomposo, poderoso, magnífico (levem em conta a minha natural empolgação citada acima). Adenor. Adenor Leonardo Bachi. Tite sempre foi maravilhoso, a ponto de ganhar um campeonato gaúcho pelo Caxias contra um Grêmio que tinha o Ronaldinho. Foi campeão pelo Grêmio, em 2001, com um time que tinha o Polga. Imagina o que esse homem faria com uma seleção com Neymar e cia. Fez. Fez pela seleção, fez pela autoestima da torcida brasileira. Empolgamos. Estamos comprando boinas russas. Repintando as paredes de 2014 que diziam “Rumo ao hexa”. Orçando bandeirinhas. Com o aluguel atrasado e, ainda assim, pesquisando passagem pra Rússia.

E hoje, se passarmos ali pelo Pinheiro, só veremos a camisa canarinho. Obrigada, Adenor.