Oi. Tudo? Quanto tempo.

Faz tanto tempo que não passo aqui que precisei de meia hora para catar o nome de usuário e resetar a senha, mas cá estou. Difícil acreditar que estou no lugar que evitei por meses, quase ano, por ser a master representação das minhas crises de ansiedade.

Dá para imaginar alguém tendo medo de um site? Prazer, Gabrieli. Yes, eu desenvolvi medo/raiva/pânico deste espaço aqui, pobre coitado, que não pediu para nascer, nunca fez nada para ninguém e tals. Vou me esforçar para explicar essa bizarrice porque tenho fé que o processo doloroso vai me fazer bem no final. Oremos.

Por onde eu começo? Humm, 2008.

Em 2008, uma galera ainda usava Orkut e não existia Instagram. Eu tinha uma câmera de 3 mega pixels que tinha me custado os olhos da cara e usava aquelas botas de camurça que tinham umas plataformas mucho estranhas.

botas

Essas. Eu tinha uma bem parecida com essa do meio e me lembro que era pesada pra caramba.

Em 2008, o meu namorado me pediu em casamento, eu pirei (no bom sentido) pensando na festa perfeita e acabei criando um blog para falar sobre o caminho rumo ao altar. Criar esse blog foi algo suuuuuper pensado, como você vai comprovar no flashback a seguir. Camila é uma ex-colega de faculdade que trabalhava comigo e era a criatura mais entusiasta de modernidades digitais (em 2008, blog era tão cool, modernoso e estiloso quanto as botas ali de cima).

Gabi – Acho tão estranho que aqui no Brasil as gurias não fazem blogs de casamento. Nos Estados Unidos, a mina mal enfia a aliança no dedo e já sai postando para conhecer outras noivas e pedir dica de onde encomendar bolo, pesquisar o preço da lembrancinha.

Camila – Por que tu não faz um?

Gabi – Será?

Camila – Faz. Já organizo para fazerem o layout pra ti e tu estreia na segunda (disclaimer: isso era uma sexta).

Gabi – Só meia dúzia de gatos pingados vão ler, né? Ah, vai ser divertido. Bora.

Eis que mais de meia dúzia de gatos pingados acabaram lendo. Para ser bem, mas bem exata, o recorde foi de 1.890.022. Yeps, quase 2 milhões. Em apenas um mês.

GabrieliChanas_09 (1)

Casualmente escrevendo no meu mini notebook dourado que também custou os olhos da cara, mas que hoje poderia ser trocado por meia dúzia de laranjas.

Eu fui blogando, blogando, meio que enchi os tubos de falar só de casamentos depois que casei, comecei a falar de mais coisas que me interessavam, parei um pouco, voltei um pouco. A questão é que enquanto o tempo corria eu também passava por várias mudanças. E, nos últimos meses, passei a ter pânico de ter vida online e a morrer de medo que novas pessoas descobrissem essa vida online.

Teve gatilho. Não foi assim, do nada.

Um dia uma pessoa nova na minha rotina, aquelas de relação apenas profissional, “me jogou” no Google e achou meu blog, meus posts sobre casamento, meu Instagram cheio de coisas sobre a família real. Teve piadinha naquele dia e teve uma clara mudança no trato depois daquilo. Claramente, passei a ser considerada fútil e talvez até menos competente. Ser “blogueirinha” meio que não combinava com ser dedicada e capaz nos campos do mundo que não contêm vestidos, sapatos e princesas. Isso se repetiu mais vezes e, esses fatos foram me deixando com raiva do meu blog. Com ódio do meu Instagram. Meio que desejando invadir a sede do Google para jogar água nos servidores para sumir com qualquer vestígio digital meu. Fiquei reativa, e mesmo quando alguém dizia com carinho que me lia no passado, eu respondia com “ah, aquele blog velho lá, só porcaria, eita vida, sei o que eu tinha na cabeça, não”. Mesmo que “o que eu tinha na cabeça” ainda seja o que tenho hoje.

Desenvolvi uma raiva tão grande do meu blog que nem consigo descrever. Permitem uma confissão muito, mas muito doida? Eu tinha medo de ver ele. Repetindo: VEEEEEER! Sim, tipo digitar o gabichanas.com e ver o blog estampado na tela. Dia desses uma amiga me disse que tinha um monte de coisa sem funcionar na home. Eu tentei mudar de assunto, mas ela seguiu e, quando vi, a mina estava com o site estampado na tela do celular para me mostrar os erros. O que eu fiz? Fui super adulta e comecei a chacoalhar os braços dizendo uns “não quero ver, não quero ver”. Boy, foi tenso explicar para a guria a razão do desatino.

Anyway, fast forward para hoje, olha eu aqui encarando o monstro. Conscientemente, não deveria ter raiva do que me proporcionou tanta coisa incrível na minha vida, né? Ganhei prêmios, cobri dois royal weddings, fiz amigxs, dei entrevistas, juntei uns dinheiros beeeem interessantes, viajei para vários lugares (incluindo dois tours pela Europa naquele modelo de viagem a convite de marcas). O f*oda é que o inconsciente costuma dar de relho no consciente, pobre anjo.

Por que eu tô aqui, então? Uma das minhas promessas de aniversário foi abrir um post aqui no blog e escrever (sou daquelas que faz listinhas do que quer melhorar no novo ano de vida). Buenas, meu aniversário foi no dia 17 de janeiro. Desde lá eu tentei algumas vezes chegar aqui, mas em todas fui detida por um redemoinho de medo de julgamento. Nem sei direito o que foi diferente hoje, mas o fato é que saiu a promessa. Abri o blog. Escrevi. Vou clicar em “publicar” daqui a pouco. E se sobrar um pouco de coragem, vou compartilhar o link nas minhas famigeradas redes sociais.

Pode ser que depois de hoje eu volte a ser uma postadora compulsiva. Pode ser que o tiro saia pela culatra e esse post vire munição para meu inconsciente bradar que eu deveria ter continuado escondida debaixo da mesa com medo do blog. Pode ser que eu considere esse texto terapêutico, pode ser que apague amanhã de manhã num acesso de arrependimento. Conto o que vai acontecer. Ou não.

Besos despidos de vergonha e trabalhados na sinceridade,
Gabi