Uma vez um amigo que tem uma filha pequena me disse que ensinou ela a nunca usar a palavra ODEIO. Que era um sentimento forte demais. A gente odeia mocotó (eu, pelo menos), mas a gente não odeia pessoas. E, se vocês pensarem comigo, odiar é forte mesmo. Faz sentido. Odiar parece algo permanente demais. E, poucas vezes, a gente odeia algo para sempre. Frequentemente, o ódio vai se esvaindo e se tornando algo mais leve. A gente evolui. E não são raras as vezes em que o ódio se modifica ao longo do tempo e vira lição. É nisso que eu me apego nos últimos anos.

Há uns 3, 4 anos, eu tive uma experiência péssima com uma pessoa. A primeira em toda a minha vida. Eu pensava: “Justo eu, que sou a pessoa mais borbulhante, amiga, fofucha. Eu não arrumo briga com ninguém – ou quase – sou prestativa, sou de boas. Não que eu esteja me bajulando, mas 99% das pessoas que me conhecem me descrevem assim. E, por mais que eu tenha meus problemas de autoestima, nunca me considerei nada diferente do que está aí em cima.

Antes de seguir, um alerta: para cada coisa que nos acontece envolvendo outras pessoas, existem três lados. Um deles é a minha verdade, outro é a verdade da outra pessoa e o último é a verdade. Essas nuances existem porque a gente nunca sabe o que a outra pessoa pensa da gente. E ela não sabe a real profundidade do que a gente está sentindo.

Por anos e anos e anos eu odiei a pessoa pelo que ela tinha me feito. Mas odiei mesmo, naquele estilo de desejar que pisasse numa casaca de banana e se estancasse no chão. Na terapia, tomei um pito. A psicóloga me disse ela deveria desejar o mesmo para mim. E hey, eu não quero karma voando pelo ar esperando uma banana pintar no meu caminho.

Os meses foram passando e eu descobri a técnica do ho’oponopono. Em explicação leiga: é um tipo de mantra que, se não me engano, é havaiano. Trata-se de uma sequência de quatro frases que tu fala quietinha, de boa, num lugar calmo, perdoando quem nos fez mal.

Perdoar quem me fez mal? Vai se catar, Gabrieli!

Não, não. Já dizia o filólosofo sei-lá-quem que ódio é um remédio que a gente toma esperando que outro morra. Faz sentido. Ódio te deixa mal. Ódio te consome. Então bora perdoar quem me fez mal (na minha porção de verdade. – pois a moça em questão, na verdade dela, também deve achar que fui uma obra). As frases do ho’oponopono que você fala pensando em uma pessoa especifica:

Eu sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grato

Complicadinho de falar isso pensando em quem você considera uma vibração, right? Mas vamos lembrar: ela tem as razões dela, que eu desconheço, e no fim das contas, em algum momento, ela me fez bem. Adotei. Da primeira vez foi um parto. Na segunda foi mais fácil. Passadas uma duas semanas praticando o ho’oponopono eu me senti mais livre de karma ruim e pensamentos negativos. Se ela me odeia problema dela. Eu superei. Eu sinto muito pelas coisas que ela acha que fiz (e talvez eu nem me dei conta), peço perdão por disso, mando amor e agradeço pelo momentos bons.

Long story short: eu ainda não gosto de frequentar os mesmos lugares que a pessoa. Eu não quero cruzar com ela no meu caminho. Mas eu não odeio mais. Não permito que esse sentimento me envenene. Repito meu ho’oponopono sempre que algo ruim relacionado a ela passa pela minha cabeça. E isso me faz bem. Sabe o ditado de “take the High road”? Se ela segue me odiando, o veneno consome ela. Eu, aqui com meu coração leve, nem tchum. Mas eu não sou uma santa, viu? Não sigo ela em redes, mudo de assunto quando falam dela. Não por ódio: por preservação.

Se recomendo? Mas é claro! Deixo abaixo um vídeo sobre o tema, que curto muito e que me ensinou a prática. Num mundo de “odeio essa perua”, partiu deixar o odeio de lado e perdoar. Pode ser foda? Pode. Mas existe algo melhor do que estar bem consigo mesmo? Deixa o outro para lá. Esquece. Releva. Mais do que isso: PERDOA!

(Se quiser, tira o som ou baixa porque é um saquinho)