Amanhã eu faço 40 anos. Qua-ren-ta-a-nos. Vem cá, para onde foi esse tempo que passou por mim mais rápido do que meu salário na conta no começo do mês?

Andei pensando muito sobre o quanto é bizarro estar fazendo 40. Qua-ren-ta. Eu não me sinto com 40. Não me visto como uma mulher de 40. Não fiz tudo o que uma mulher de 40 deveria ter feito na vida (antes de me xingar sobre esse parágrafo, lê o restinho do texto, tá?).

Comecei a ficar incomodada, mas se as últimas quatro décadas de vida me ensinaram alguma coisa, uma foi entender de onde vêm os grilos na minha cabeça e decidir se eu deixo os danados fazendo cri-cri sem fim ou se conduzo os bonitos para o jardim mais próximo e mando eles irem viver a vida sem me encher os tubos.

Caraca, que coisa é essa de “droga, estou fazendo 40, mas não me sinto com 40 e nem tenho histórico de vida compatível com o de uma mulher de 40?”.

Pega uma cerveja, senta no solzinho e vai analisar, Gabrieli. Pensa aqui, toma um gole ali e cheguei a uma resposta: o grilo de fazer 40 anos estava ali porque as minhas configurações mentais sobre o que é ter essa idade estavam totalmente desatualizadas. 

Quando eu tinha 7 anos e estava começando a entender o mundo, minha mãe tinha 40. Era uma mulher casada há 21 anos, com duas filhas, uma carreira consolidada, cabelo curtinho.

Mas qual é a de citar o cabelo curtinho?

Por sei lá qual motivo, cresci achando que uma mulher, conforme envelhecia, deveria ir encurtando o cabelo. Na minha infância, era “feio” mulher mais velha ter cabelo comprido. Hoje esse padrão de corte relacionado com idade até aparece um pouquinho, mas bem mais por opção do que por imposição da sociedade. Mas é fato: para a pequena Gabi, que via todas as suas tias de cabelo curto, o marco da virada dos 40 era passar a tesoura.

Faço meus 40 com bem menos milestones que a minha mãe: estou casada há 7 anos, não tenho filhos, fiz há apenas 3 anos uma guinada brusca de carreira (que ainda não sei se vai me render os frutos que espero) e meu cabelo está na altura dos ombros. Poderia estar mais comprido, mas fui encurtando ele com os anos não por sentir que a sociedade me cobrava isso, mas por pura impaciência de passar horas manejando o secador.

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Meu cabelo muso passando pela sua timeline porque eu fiz mechas no sábado passado com meu hair stylist preferido na vida (o Léo) e estou amando!

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E já que falei em cabelo, interrompemos este post para mostrar o meu histórico capilar desta vida so far. Destaque maravilhoso para a foto do meio na coluna de baixo. Ah, o corte Chitãozinho e Xororó dos anos 90…

Comecei a analisar a vida das amigas que já fizeram 40 e não reconheci em nenhuma das mais próximas o mesmo padrão de vida dos 40 da minha mãe. Nem mesmo a minha irmã, quase 10 anos mais velha do que eu, lembra o que era a Dona Nelma lá nos seus 40. Ok, a Claudya está casada há mais de 20 anos, tem filhos, tem um neto (GENTE!), mas ainda arrisca guinadas na carreira, tem mil grupos de amigas, vive me convidando para viajar, é extrovertida e se veste de um jeito que eu amo.

Ah, vamos falar sobre o modo de se vestir, sim.

Com 40 anos, a mãe se vestia de uma forma muito conservadora, que casava mais com o estilo de uma mulher de 60 da época. Hoje eu estou aqui vestida com pantacourt (homens, isso é uma calça da moda, tá?), camisetinha divertida da Forever 21, sandália Melissa, rabo de cavalo alto arrematado com um prendedor que imita um laço. Se me teletransportasse para a época dos 40 anos da mãe, seria vista como uma aberração, como uma quarentona querendo se passar por adolescente.

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Aí em cima eu toda plena com 5 anos (a mocinha de body vermelho e saia branca), desfilando como princesa da banda da escola, com a minha mãe à frente (de calça bege e blusa estampada). De jeito nenhum ela usava saia acima do joelho nem vestido mais colado. Esse era o máximo de decote e blusa sem mangas era raridade.

Depois de umas três cervejas, entendi: os anos passaram, as mulheres foram conquistando mais liberdade, foram rompendo barreiras. Hoje, a maior parte dos casamentos acontece na faixa dos 32 anos (é dado do IBGE), não mais na casa dos 20. Mulheres estão tendo filhos mais tarde (não aos 22, como a mãe teve a Claudya). Estão entrando nos seus 40 fazendo mil especializações e a gente lê todo dia histórias inspiradoras de mulheres que largaram carreiras consolidadas e empreenderam em novas bandas para fazer o que realmente gostavam.

Vale um recorte aqui: nos tempos atuais, não há nada de errado em ter filhos e se casar com vinte e poucos anos. Não é errado ter cabelo curto (incrível como essa coisa do corte de cabelo me marcou). Não tem problema nenhum ser dona DA casa, querer ficar no mesmo emprego até se aposentar. O que eu pontuo aqui é que crenças que a gente tinha há décadas sobre o que deveria ser uma mulher de 40 anos, mudaram. “Os 40 são os novos 30”. São, sim. Especialmente na visão da minha mãe. Ela me vê com 40 anos fazendo o que ela fez na finaleira dos 20, começo dos 30.

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Meus 40 chegam amanhã sem o peso de não ter completado o passo a passo da minha mãe. Faço 40 celebrando novos tempos, onde o comportamento da mulher não se define por décadas, mas pelo seu jeito particular de analisar o mundo e decidir como vai viver a sua vida.

Ontem a minha irmã me ligou e me disse: “eu vim quase 10 anos antes de ti para chegar neste momento e dizer que os 40 são fantásticos”. Amém, mana! Parece que será bem divertido!

PS: estou pensando em comemorar meu aníver de 40 num bar inspirado em drag queens. Isso é aniversário com cara de mulher de 40 anos. E de 50, de 60, de 70, de quantos anos a gente quiser. 

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Só mais uma coisinha. Será que era tendência na época dos 30 da minha mãe ERRAR O NOME DA PRÓPRIA FILHA NA LEMBRANCINHA DE NASCIMENTO? O meu nome tem um L só, mas a minha mãe amada meteu dois na lembrancinha. E corre os olhos mais para baixo, amiga. A praga da minha irmã, furiosa por não ter sido mencionada, pegou um a um dos cartões e escreveu um “E FAMILHA” embaixo. Ai, minha Nossa Senhora da Gramática. Essa Claudya me mata!