Era um sábado de noite e eu tinha terminado um namoro naquele dia. Morava junto com o namorado e fiquei me perguntando pra onde iria. Daí lembrei de pedir ajuda para a Jeane, amiga de anos, mas com quem eu não falava mais tanto como antes (aquela coisa que acontece com muita gente quando começa a namorar: acaba fazendo mais coisas com o namorado do que com as amigas).

Minha família mora em Gravataí (para quem não é do Rio Grande do Sul: a minha cidade natal fica a 30km de Porto Alegre e eu não queria incomodar meus pais com notícia chata). Resolvi ligar para a Jeane e perguntar se poderia dormir lá. Ela mal falou comigo. Rápida e gentil, além de me deixar ficar lá, disse que estava pegando o carro para ir me buscar.

Chegou no apartamento, subiu e foi me ajudando a arrumar malas. Eu não precisava sair no mesmo dia. Não era daqueles relacionamentos que acabam e as pessoas passam a se odiar. Mas eu também não queria ficar onde morava sabendo que o relacionamento estava acabado. Em alguns minutos ela já estava com malas de roupas colocando tudo no carro. Me levou para a casa dela e me ouviu por horas chorar, falar, desembuchar todos os meus problemas. E olha que eu fui longe, longe. Entramos a madrugada. Parecia que nunca tínhamos nos afastado. Ela ainda me amava como um amigo de verdade ama e quer ver o outro bem.

Acabei ficando na casa dela por um mês, enquanto procurava um outro apê. A Jeane fez com que eu me sentisse em casa, fazendo comidinhas boas, me ensinando como ligar a tevê maluca dela para assistir Friends. Foi comigo ver o apartamento novo, deu o selo de aprovação e, again, me ajudou a arrumar minhas coisas. A essa altura eu já estava bem menos chateada e bem mais otimista em relação ao futuro.

Passou um tempinho e ela conheceu um cara maravilhoso, teve uma filha linda e foi morar em São Paulo. Aí o afastamento ficou maior. Mas só em distância. Estar longe da Jeane me fez ter certeza absoluta que amigo é aquele te ama e protege mesmo sem falar todo dia, mesmo sem ser vizinho.

Algum tempo depois eu fui morar em São Paulo. A gente se via mais. Ela já tinha outro filho lindo e eu amava ver como ela tinha uma família maravilhosa. Me ensinou o caminho para a casa dela, me deu todas as dicas possíveis de como morar em Sampa e, como sempre, se colocou à minha disposição do jeito Jeane de ser: se eu ficasse doente ou se qualquer outra coisa acontecesse comigo em São Paulo, era para ligar para ela imediatamente.

Estou contando essa história bem pessoal porque hoje é Dia do Amigo. Felizmente ainda não virou uma data comercial, tipo Dia das Mães. Apesar de várias marcas nos instigarem a comprar presente para os melhores amigos, a gente ainda tem na cabeça que o maior presente que pode dar e receber é o carinho e a parceria.

Morro de orgulho dela. Me espelho nela. E, para sempre, ela será a “Mon” e eu a “Rach”. Em alusão à Friends, era assim que a gente se chamava quando morou juntas. You are my lobster.

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