Não sei vocês, mas eu tenho a impressão que atualmente existe coach pra tudo (ouvi dizer que existe coach para noivas, e não é organizador de casamento. Tenso.). Há alguns anos ouvi falar pela primeira vez de coach de vida. O Gabriel Carneiro Costa, gaúcho, era um dos primeiros nessa área. Fiquei pensando com meus botõezinhos o que é que um coach de vida fazia. Se seria tipo terapia e tals. E mais do que isso: se num papo com um coach de vida ele iria me dar a luz pra resolver todos os meus problemas. Pra sair do buraco e saber mais sobre essa história, fiz uma entrevista com o Gabriel. Bora saber, de uma vez por todas, o que faz um coach de vida.

A gente tem a impressão que hoje existe coach pra tudo. O que faz um coach de vida?

Gabriel – Não temos a impressão, isto é um fato. No Brasil existe no momento coach para tudo. Eu acompanhei todo o crescimento desta profissão no país e fui o primeiro profissional a escrever um livro de coach de vida por aqui. Mas atualmente, tenho me afastado desta expressão. Continuo gostando e atuando com todas as premissas de um processo de coaching, mas infelizmente se tornou uma profissão, que além de não ser regulamentada, virou sinônimo de trabalho razo, apenas com cunho motivacional.

Mas a essência do coaching de vida é muito maior. O meu papel como profissional não é dizer como os outros devem viver. O foco do meu trabalho está em ampliar a consciência do cliente a respeito de um balanço entre vida atual e vida desejada. Toda vez que existe um espaço entre estes dois pontos, então existe espaço para um trabalho de coaching. O foco está no indivíduo e na sua capacidade de mudança.

Uma das características importantes de um processo como este é justamente na elaboração de um plano de ação em prol de algum indicador. Ao longo dos anos acabei criando a minha linha atuação e meu método (pois misturo coach, conceitos de psicologia e educação emocional), e divido o trabalho em quatro fases. 1) Desconstrução (rever todas as crenças e os velhos modelos), 2) Construção (definição de novas metas, sonhos, desejos), 3) Ação (colocar em prático e provocar mudanças tangíveis), e 4) Comemoração e gratidão (reconhecer e agradecer as conquistas).

Coach de vida é tipo terapia com psicólogo?

Gabriel – Não. Nem seria justo com os psicólogos afirmar algo assim. O psicólogo, por natureza de formação, possui uma base muito maior e com isto uma capacidade de aprofundamento muito maior. O trabalho de coaching é específico para um determinado objetivo de vida. Ele possui um início, um meio e um fim, tendo assim um prazo terminado para avaliação dos resultados.

Como funciona?

Gabriel – Como não é uma profissão regulamentada, cada profissional pode criar a sua forma a agir de acordo com seus princípios e conhecimentos. Quando comecei esta carreira eu era mais preocupado com agir segundo as “cartilhas do coach”, mas hoje não sigo mais.

Eu já não trabalho mais com número de encontros definidos. Apenas oriento o cliente que precisamos te rum objetivo dentro do processo e uma vez este alcançado, o processo precisa ser encerrado. Devido a agenda de palestras, eu hoje atendo pouco, mas ainda é uma atividade que exerço. Alguns profissionais atendem via Skype, mas atualmente eu apenas atendo presencialmente. Por este motivo, a maioria dos meus clientes são de Porto Alegre, onde fica meu escritório principal (no Barra Shopping Sul), e eventualmente, conforme minha agenda, atendo clientes em São Paulo e Lisboa. Trabalho de forma padrão com encontros quinzenais, porém há casos onde é necessário encontros semanais e outros onde podemos trabalhar com encontros mensais. Todos os encontros são de uma hora e trinta e costumo dividir as sessões em explicações teóricas a respeito do comportamento, conversas significativas de insights e provocações e um tempo para plano de ação.

Na prática, o que efetivamente dá pra aplicar depois de um papo com um coach de vida? 

Gabriel – Eu gosto muito de ensinar as teorias e as ferramentas. O meu objetivo é que o cliente não dependa de mim e que ele possa sair do encontro comigo com condições de tomar suas próprias decisões e principalmente de se encorajar a seguir sua jornada. Um bom profissional de coach não dá respostas, mas sim provoca a vida em forma de questionamentos. É um trabalho muito mais provocador do que de aconselhamento. Se depois de uma conversa comigo o cliente sai mais disposto a encarar seus medos, com sua consciência um pouco mais ampliada, então já valeu o encontro.

Qual é a tua formação?

Gabriel – Sou formado em Relações Públicas com pós-graduação em Gestão de Negócios. Depois realizei uma série de cursos complementares nas áreas de psicologia positiva, análise transacional, educação emocional e comunicação não violenta. Além disto, específico no mercado de coach, tenho formação em Coach Pessoal e Coach Familiar (uma área ainda pouco conhecida no Brasil).

Sem citar nomes, conta algumas experiências legais que já tiveste com clientes!

Gabriel – Nestes anos todos, o que não falta são casos legais para compartilhar. O meu primeiro livro (O Encantador de Pessoas) é justamente um apanhado dos casos mais instigantes que pude compartilhar. Mas penso que pode ser rico para esta entrevista citar duas situações.

Certa vez um cliente chegou buscando se desenvolver para ser referencia na sua área de trabalho. Havia um ranking específico no Brasil que ele gostaria de poder estar presente. Durante o trabalho, notamos que sua maior luta era contra ele mesmo e todas as suas crenças de não capacidade. Este é um dos impactos mais pesados que temos ao longo da nossa jornada. Lidar com a voz interna que nos desqualifica e nos impede de seguir adiante. Com ele o trabalho todo foi focado nesta reconstrução de si mesmo, refazendo suas crenças e estabelecendo um plano de ação para se tornar uma pessoa melhor.

Por outro lado, tive uma cliente mulher que me procurou no momento em que ele havia se tornado vice-presidente de uma grande companhia mas o foco do trabalho comigo era conseguir dizer mais “não” às pessoas. Ela estava grávida do segundo filho e com este ela pretendia ficar mais tempo e sabia que para isto seria importante lidar com as renuncias. Neste caso o trabalho todo se desenrolou com a dificuldade de lidar com as frustrações dos outros e saber que nem sempre vai agradar.

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Feito! Tá desvendado o mistério! Pra quem curtiu o papo com o Gabriel e quer saber mais, o site dele pode ser acessado clicando aqui.