POR VANE CHAVES

Paulo foi contratado pela Farmácia do Bairro para trabalhar no caixa.

O curriculo de Paulo e sua experiência o qualificavam para tal, além das suas boas referências.

Desde que Paulo assumira o posto, se mostrava extremamente pró ativo, querendo ajudar em todos os setores da loja.

Mas feliz mesmo, Paulo ficava quando o farmacêutico não estava. Aí ele receitava remédios por conta (causando problemas a alguns pacientes), dava ordens aos outros funcionários, e “maleporcamente” realizava sua função de caixa. Passou a dar troco errado, cobrar valores indevidos, e atender mal aos clientes que passavam por ele. Além de, é claro, não assumir a responsabilidade por seus erros.

Paulo não era feliz no caixa. Nem naquele emprego. Paulo queria mesmo era ser farmacêutico.

E não o era por um detalhe: Paulo não tinha formação na área, portanto não poderia ser considerado farmacêutico, por mais que se sentisse bem brincando como tal.

Em suma, Paulo criou um problema para a empresa. Apesar de bem intencionado, os colegas precisavam rotineiramente fazer o trabalho que Paulo deixava pendente no caixa, enquanto borboleteava por setores que não eram de sua competência.

Assim sendo, outros setores ficavam descobertos.

Coube então, ao dono da Farmácia do Bairro, demitir Paulo (depois de todas as tentativas de treinamentos ofertadas), e contratar novamente um outro caixa. Alguém que não inventasse ser astronauta, neurologista ou farmacêutico. Ele só precisava de um caixa que não inventasse moda, afinal.

Educadamente, o dono agradeceu por toda a boa vontade e serviços prestados, e cumpriu o necessário: demitiu Paulo e contratou outro caixa.

A farmácia voltou a seu curso normal, e Paulo seguiu sua vida sem maiores traumas.

Essa é a história de Paulo. Mas bem poderia ser a história de nosso zagueiro quase homônimo, Paulão.

Paulão não gosta de ser zagueiro. Ele sonhava mesmo em ser meio campo, destaque do time, artilheiro, quiçá um gol de cabeça, outro gol de bicicleta.

Ele queria ser a estrela do jogo, armar jogadas, ajudar na criação (vejam o mapa de calor disponibilizado pela Rádio Gaúcha no jogo entre Inter e São José).

Mas Paulão foi contratado pra ser Zagueiro. E não há Cristo que faça Paulão ajudar na zaga.

Assim sendo, Danilo faz o trabalho de Paulão.
Cuesta faz trabalho de Paulão.
Dourado faz o trabalho de Paulão.
Dalessandro faz o trabalho de Paulão.

O massagista, o Valdívia, o roupeiro, a minha avó, TODO MUNDO faz o trabalho de Paulão. Menos ele.

Alguém por favor chama o dono da farmácia?