É mais do que dinheiro….

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Por Vane Chaves em Coloradas

Não é, obviamente, por dinheiro.

Ou alguém supunha que menino Neymar passava algum aperto pra pagar os boletos do mês, ou o combustível (anda pela hora da morte, afinal)

Não é pra acompanhar a semana de moda mais de perto.

Tampouco é pra realizar o sonho de morar em Paris.

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É sobre ser protagonista, meus caros.

Barcelona sempre teve dono e o nome dele é Lionel Messi.

Não importa quem for seu companheiro de time…este sempre fará a segunda voz na cantoria do futebol.

É assim, e assim será até que Dom Messi se aposente (ainda deve demorar)

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Neymar precisava sair pra ter um time e chamá-lo de seu. Com todo o respeito aos profissionais que lá trabalham, ele chega em outro patamar. Não há ninguém acima dele no time, quiçá no futebol francês.

E era esse protagonismo que lhe faltava, talvez.

O papel principal. O filme da vida dele.

Num futebol com muitos menos concorrentes à altura, ele assume o privilegiado posto de jogador mais bem pago do mundo

Porque aceitar menos?

A gente vive numa sociedade em que ser bem sucedido nem sempre é visto com bons olhos. Acho isso hipócrita e piegas.

A bem da verdade ele não tinha escolha.

E de quebra, poderá frequentar os melhores salões de cabeleireiros do mundo. Afinal Neymar é gente como a gente e gosta de variar o cabelón.

Com esse aumento, se quiser ele faz até comercial de shampoo. Shampoo francês, é claro. 😉

Merci beaucoup

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De uma colorada para Paulo Sant’Ana

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Por Gabi Chanas em Coloradas

(Na foto acima, Sant’Ana, o famoso torcedor do Grêmio, no jogo de despedida do time no Estádio Olímpico. Passou pelos torcedores com um cartaz onde lia-se “Adeus Olímpico”. Um gremista e tanto, apaixonado e grandioso).

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Por Vane Chaves

Eu precisaria comer muito arroz e feijão pelas próximas 12 encarnações, para estar a altura de escrever algo sobre Paulo Sant’Ana. Portanto, vou contar histórias baseadas em fatos reais. Afinal, Sant’Ana fala por si só.

Minha filha tinha uns 5 anos, quando dentro de uma livraria no aeroporto de Porto Alegre, ela resolveu empurrar um carrinho, num descuido meu. Quando olhei,  percebi que tinha um notebook dentro.
Corri pra trazer de volta, e uma voz rouca de um senhor atrás de nós diz assim:

 – Menina linda desse jeito, só pode ser gremista.

Ela:

– Não.  Sou colorada e corinthiana!

Gargalhada rouca. Era ninguém menos que Paulo Sant’Ana. O carrinho era dele.

Deu risada, pediu um beijo e comprou um pirulito pra ela. Um doce de pessoa. Gentil com todos que se aproximaram rindo da situação.

Sant’Ana nos ensinou a ler a Zero Hora de trás pra frente. Gênio da comunicação. Um poeta.

Mas o que ele mais fez com maestria, foi testar a paciência dos colorados. Não há meme de internet que se compare às cornetas diárias de Paulo Sant’Ana no Jornal do Almoço. Ele tripudiava (respeitosamente, claro) os colorados. A gente ia pro colégio calejado e afiado, porque depois de ouvir as cornetas dele, nada poderia ser mais sagaz e certeiro.

Em 1989, pra lembrar das mais memoráveis fanfarrices dele, apresentou o jornal vestido de baiana, após o Inter perder o titulo para o Bahia.

A roda virou, o Inter cresceu, ganhou tudo e após o GreNal de 2011, onde fomos campeões gaúchos, o time foi ao Jornal do Almoço dar entrevista. Andrezinho mancando, foi puxado pelo Sant’Ana pela mão. Ele dizia, inconformado: “Nós perdemos no GreNal para um MANCO!!! Um MANCO!! E mesmo manco é melhor do que qualquer um do meu time!”

Um louco. Como todo o gênio o é.

Na verdade, o que a gente queria mesmo, como colorado, era ter alguém torcendo por nós com tamanho afinco e genialidade. E acho que, no fundo no fundo, acreditamos que ele era imortal. Mas, quem duvida que seja, não é mesmo?

Certamente vai em paz, no dia do futebol e depois da vitória do seu Grêmio! E aqui, como modesta homenagem,  reproduzo um trecho de um dos seus textos geniais, publicado na ZH em 2011.

”  O homem deixa um pouco de ser feliz quando se torna responsável. É aí que ele percebe que tem de prestar contas. Quando menino, a gente não tem encargos, a vida é grátis e nem se imagina que um dia ela vai apresentar as prestações para serem pagas. Vê-se agora que seria bom voltar àquele tempo de criança quando a gente só brincava. E, se por acaso se precisasse de alguma coisa, ela nos era alcançada. Hoje, não, quando a gente precisa de alguma coisa, é a gente que tem de dar um jeito. E é muito difícil dar  um jeito na solidão.”

 

Machismo no futebol: não aconteceu só ontem, não!

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Por Gabi Chanas em Coloradas

Por Vane Chaves

Eu gostaria de falar sobre futebol. Eu gostaria de falar sobre o gol legal aos 47, desenhado pela lambança de um auxiliar que achou ter visto impedimento e levantou a bandeirinha equivocadamente confundindo os jogadores do Luverdense.

“Apesar de ser mulher”  e nunca ter jogado futebol, eu sei o que é impedimento.  E não foi. A regra é clara, o Arnaldo confirmou. As rádios, a TV. Unanimidade: a defesa parou sem o juiz apitar, e fizemos o Gol. Ponto. Mas não falarei sobre esses aspectos infelizmente.

Eu tenho o hábito de seguir ouvindo rádio assim que termina os jogos. Gosto de ouvir as análises, as impressões  sobre o jogo, até porque no campo se perde muita coisa. E gosto principalmente de ouvir as entrevistas coletivas do departamento de futebol e do técnico. Gosto de analisar a comunicação. Acho que as pessoas falam muito sobre si na maneira como se expressam do que pelo que é propriamente dito. Pela voz a gente consegue captar emoções bem claras e nuances de insegurança, indignação, motivação ou desmotivação e por aí vai. Ontem não foi diferente.

Primeiro falou Roberto Melo, vice de futebol. Entrevista sonolenta, obviedades, o de sempre.

Entra o Guto. Nos cascos. Com razão, diga-se de passagem. Passou a semana inteira sendo fritado na imprensa desportiva. Teve comentarista sugerindo Dunga para substituí-lo. O cara sai de campo naquela adrenalina, pressionado, cabeça a mil.

A primeira pergunta veio de uma maneira nada gentil (e costumeira) de um repórter. O Guto deu no meio. Na hora eu escrevi no twitter: Guto vai dar gasolina pra imprensa incendiar.

E seguiu. A pergunta teve réplica, tréplica e o clima era visivelmente nada ameno.

A terceira pergunta veio da Kelly Costa, jornalista da RBS TV. A resposta do Guto começa com:

“Eu não vou fazer essa pergunta pra você, porque você é mulher e de repente não jogou futebol”.

O restante da frase não vem ao caso, uma vez que não muda o contexto do seu início. Guto fez algo muito, muito comum: um comentário machista. A partir daí, a internet veio abaixo. Apareceu gente rebatendo machismo agredindo Guto Ferreira pela forma física. Surgiram machistas aplaudindo e dizendo que ele não falou nada demais e que feminismo é mimimi. Teve sujeito dizendo que a partir dali apareceriam as vagabundas ofendidas pra reclamar do Guto.

Teve muito, mas MUITO oportunismo.

Mas vamos às minhas impressões.

Guto errou. Tanto assim, que imediatamente após a coletiva, dirigiu-se à Kelly e pediu desculpas. Achei bom. Viu que falou bobagem e se desculpou. A meu ver, só faltou um pedido público de desculpas. E ele fez isso agora de manhã, falando à SportTV.

Mas se ele pediu desculpas, por que não encerramos o assunto? Porque a gente precisa DEBATER. É debatendo que se combate. É debatendo que a sociedade evolui.

Acho que o porta-voz de uma instituição não pode de jeito algum dar declarações que propaguem discurso de ódio. Essa polvora não pode ser acesa. Quem tem um microfone na mão, há de ter muita, mas muita responsabilidade. Não apenas pelo que fala. Se pensarmos friamente, a maioria das mulheres realmente nunca jogou futebol. O que a gente pode repensar e multiplicar é: por que será que não jogamos? Somos fisicamente incapazes? Ou porque não temos espaço?

Esse debate não tem nada a ver com a pessoa do Guto Ferreira. Tem a ver com o que está por trás disso. E por trás disso está uma sociedade amplamente machista. E a “sociedade”, não é na terceira pessoa.
A sociedade somos nós. E nós somos machistas por uma construção social.

O debate fará a desconstrução e nos fará, por exemplo, torcer pelo futebol feminino com a mesma paixão que hoje temos pelo time principal (que é masculino).

Porém, é preciso trazer outro aspecto sobre os tipos que surgiram ontem depois deste episódio. Os aproveitadores. Eles estão obviamente por toda a parte. A diferença é que alguns trabalham na imprensa. A quantidade de repórter oportunista levantando a bandeira do feminismo, pra agredir o Guto é quase incalculável.

Primeiro: amigo, dá pra cá essa bandeira porque ela não é tua.

Segundo: não vi nenhum dos revoltados com o machismo do Guto, preocupados com o machismo dos veículos de comunicação que trabalham.

Só pra ilustrar um exemplo: há poucos dias, no progama de futebol mais ouvido no RS, um dos comentaristas fala sorridente:

“Fulano, o jogo do Inter ontem tava tão ruim, que como consolo, cada torcedor deveria ganhar uma mulher de acompanhante pra levar pra casa.”

Adivinhem o nome disso amigos? Começa com “MA” e termina com “CHISMO”.

Não li UMA linha a respeito. Uma crítica sequer.

Então, meus caros: não se aproveitem de um erro de alguém, pra usar um assunto tão sério em prol dos teus interesses. Isso é leviano.

Guto: se fosse eu a te entrevistar, responderia placidamente com:

” De fato nunca joguei futebol professor. E pelo que vi em campo, muitos dos teus jogadores também não.”

Inter: “O retrato é um time apático, que ainda não parou de cair.

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Por Gabi Chanas em Coloradas

Por Vane Chaves

Minha tia tem uma casa de veraneio em Atlântida Sul. Bem em frente à casa, há um campo de futebol onde os aposentados e demais atletas amadores do futebol, batem sua bolinha todos os finais de tarde.

Frequentemente assisti ali, partidas de qualidade IMENSAMENTE superior à que assisti hoje entre Internacional x Boa Esporte. Sim, o time aquele do goleiro Bruno. O time aquele que não tem nem patrocínio estampado na camiseta. Que teve um jogador em campo que vomitou por conta de uma indisposição estomacal.

E o Inter perdeu para o Boa Esporte.

Em casa. Casa cheia, num sábado gelado em Porto Alegre.

O retrato é um time apático, que ainda não parou de cair. Desorganizado, perdido, confuso, jogando sempre em função de jogadas criadas pelo D’Alessandro, que obviamente não consegue jogar sozinho.

O técnico tem sim sua parcela de responsabilidade. Mas absolutamente tudo que aconteceu hoje é responsabilidade da direção do Internacional. Um time de amadores que comanda o futebol e conseguiu piorar uma situação já catastrófica.

Eu sinceramente, não sei o que esperar.

Se é que há o que esperar.

Oremos.

Habemus um técnico

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Por Gabi Chanas em Coloradas

Por Vane Chaves

O jogo foi sofrível.

O primeiro tempo desastroso, mostrou uma equipe atrapalhada, desorganizada tentanto se achar em campo.

Guto mexeu no intervalo, mudou o posicionamento de alguns jogadores e outro time entrou em campo no segundo tempo.

Começou veloz, atacando e marcando no campo adversário. Assim que chegou a metade do segundo tempo o time sucumbiu ao cansaço. Dalessandro que é sempre a referência do time dava sinais de exaustão  Pra quem não sabe, do início do ano ate agora, Dalessandro jogou mais partidas pelo Inter, do que o ano passado inteiro no River.

Estamos exaurindo nosso capitão simplesmente porque não há substituto que faça um bom trabalho na sua posição . Problema antigo alias, que o Inter ainda não resolveu.

Cedemos o empate ao Juventude. Não bastasse todo o resto, ficou claro que o jogo ocorreu numa falha da zaga. Mais uma, aliás.

E então veio pra mim, a melhor parte do jogo: a entrevista coletiva de Guto Ferreira.

Jogo pra mim só acaba quando termina. A coletiva, no caso.

Certeiro. Começou dizendo que felizmente o jogo acabou, caso contrário o empate poderia virar derrota. Pra mim isso é um traço muito claro de quem é realista e consciente.

Falou sobre a necessidade de um rodízio de jogadores pela sucessão de jogos próximos. (Da-lhe folga pro Dale, Guto!)

E me deu uma impressão muito positiva, quando deixou claro que o grupo estará blindado, ao responder a um jornalista que jamais falaria em contratações em entrevista alguma,  porque tem uma equipe dentro do vestiário que precisa ser motivada.

Que Guardiola, o quê. De agora em diante sou #teamguto

“A série B não pode ser um propósito. Deve ser dever de casa. É obrigação ganhar”.

Por Gabi Chanas em Coloradas

Por Vane Chaves

Um time que foi rebaixado e precisava ser reconstruído. 90% do elenco anterior foi vendido/emprestado/devolvido. Direção buscou montar um elenco de série A para jogar a série B. Tratando isso como larga vantagem sobre as outras equipes da competição.

Ledo engano. A arrogância não nos fez baixar a bola. Não soubemos recuar.

Ora, se você precisa trabalhar  na chuva, não adianta comprar o último lançamento em tênis de corrida, mesmo ele sendo o mais caro da loja. Você precisa de uma galocha. Ponto.

É bonita? Não. É glamurosa? Nem de longe É confortável? Pelo contrário… Mas é o que funciona.

Mas ok, trouxeram os tais jogadores e montaram o time de série A.

Em contrapartida, oferecemos como motivação a esses jogadores novos, a possibilidade de classificação na Copa do Brasil, única competição nacional do ano.

Ocorre que em algum momento, alguém passou a difundir a ideia de que não deveriamos focar na Copa do Brasil, já que não teríamos chance. O foco deveria ser a série  B.

Mas, eu pergunto, com base em que, cara pálida?

Por que não acenar aos jogadores a possibilidade REAL de conquistar um título nacional? Por que não enfrentar o Palmeiras com a faca nos dentes e sangue nos olhos? Por que não mostrar que temos SIM uma chance real de estarmos na Libertadores de 2018?

Isso não é muito mais instigante do que apenas pelear pela serie B?

A série B não pode ser um propósito. Deve ser dever de casa. É obrigação ganhar. Já a Copa do Brasil é o desafio, o improvável, o ganhar na raça, a superação, o motivo de orgulho da torcida.

Eu espero (com a saída do nosso técnico) que ainda haja tempo para repensar nossos propósitos.

Porque uma coisa é fato.

Objetivos pequenos, trazem resultados medíocres.

A verdade é que não temos nenhuma chance contra o Corinthians

Imagem: Ricardo Duarte (divulgação, Internacional)
Por Gabi Chanas em Coloradas

Por Vane Chaves

Se a disputa já era desigual por todas as vantagens que um time entrosado tem sobre outro em formação, agora entraremos em campo sem nosso capitão, lesionado.

É meus caros…desgraça pouca é bobagem.

É como entrar em campo para cumprir tabela, e rezar pra não passar vergonha, na casa do adversário. Isso é o que a racionalidade me diz. Agora, quer saber a verdade sobre o que eu penso ?

Eu imagino um time entrando em campo com sangue nos olhos. Com a gurizada correndo por eles,  pelo Dale e por nós. Com os reservas dando a vida pra recuperar nossa dignidade tão abalada. Com um menino da base entrando e decidindo.

E um final digno das melhores batalhas, em que o improvável vence sem a gente entender, deixando aquela sensação de surpresa e estupefação tomar conta.

Afinal, pra quem não lembra…não tínhamos nenhuma chance contra o Barcelona.

Só o improvável nos fará passar por mais essa.

A ver.

Precisamos falar sobre Paulo

Por Gabi Chanas em Coloradas

POR VANE CHAVES

Paulo foi contratado pela Farmácia do Bairro para trabalhar no caixa.

O curriculo de Paulo e sua experiência o qualificavam para tal, além das suas boas referências.

Desde que Paulo assumira o posto, se mostrava extremamente pró ativo, querendo ajudar em todos os setores da loja.

Mas feliz mesmo, Paulo ficava quando o farmacêutico não estava. Aí ele receitava remédios por conta (causando problemas a alguns pacientes), dava ordens aos outros funcionários, e “maleporcamente” realizava sua função de caixa. Passou a dar troco errado, cobrar valores indevidos, e atender mal aos clientes que passavam por ele. Além de, é claro, não assumir a responsabilidade por seus erros.

Paulo não era feliz no caixa. Nem naquele emprego. Paulo queria mesmo era ser farmacêutico.

E não o era por um detalhe: Paulo não tinha formação na área, portanto não poderia ser considerado farmacêutico, por mais que se sentisse bem brincando como tal.

Em suma, Paulo criou um problema para a empresa. Apesar de bem intencionado, os colegas precisavam rotineiramente fazer o trabalho que Paulo deixava pendente no caixa, enquanto borboleteava por setores que não eram de sua competência.

Assim sendo, outros setores ficavam descobertos.

Coube então, ao dono da Farmácia do Bairro, demitir Paulo (depois de todas as tentativas de treinamentos ofertadas), e contratar novamente um outro caixa. Alguém que não inventasse ser astronauta, neurologista ou farmacêutico. Ele só precisava de um caixa que não inventasse moda, afinal.

Educadamente, o dono agradeceu por toda a boa vontade e serviços prestados, e cumpriu o necessário: demitiu Paulo e contratou outro caixa.

A farmácia voltou a seu curso normal, e Paulo seguiu sua vida sem maiores traumas.

Essa é a história de Paulo. Mas bem poderia ser a história de nosso zagueiro quase homônimo, Paulão.

Paulão não gosta de ser zagueiro. Ele sonhava mesmo em ser meio campo, destaque do time, artilheiro, quiçá um gol de cabeça, outro gol de bicicleta.

Ele queria ser a estrela do jogo, armar jogadas, ajudar na criação (vejam o mapa de calor disponibilizado pela Rádio Gaúcha no jogo entre Inter e São José).

Mas Paulão foi contratado pra ser Zagueiro. E não há Cristo que faça Paulão ajudar na zaga.

Assim sendo, Danilo faz o trabalho de Paulão.
Cuesta faz trabalho de Paulão.
Dourado faz o trabalho de Paulão.
Dalessandro faz o trabalho de Paulão.

O massagista, o Valdívia, o roupeiro, a minha avó, TODO MUNDO faz o trabalho de Paulão. Menos ele.

Alguém por favor chama o dono da farmácia?

As mocinhas dos pompons

Por Gabi Chanas em Coloradas

Por Vane Chaves

Eu vivo e gosto de futebol, desde muito cedo.

Crescer numa família, onde isso era completamente natural, é um privilégio, muito embora mascare um pouco a realidade fora dela.

Se hoje ainda existe preconceito, vocês tentem avaliar o que era uma menina gostar de futebol nos anos 80. Mas isso nunca foi um problema. Aliás, sequer era uma questão, tamanha a naturalidade do meu apreço pelo esporte e da convivência desde sempre.

Quando passei a frequentar o estádio, eu entendi (sem nenhum embasamento teórico feminista), que “no mundo real”, aquilo já não era assim tão normal. Comecei observando por exemplo, o cuidado exacerbado do meu tio e primo, que quando me levavam aos jogos, montavam um esquema de escolta. Um na frente, o outro atrás, me protegendo de algo que eu não sabia exatamente o que era. A impressão era de que eu precisava me esconder de alguém ou de alguma coisa.

Ir no banheiro? Só com escolta. Short? Nem pensar, olha os modos!

E só queria ver o jogo, pular e gritar.

A duras penas, a gente cresce e entende que estava apenas se escondendo do machismo. De gente que achava (e ainda acha) que futebol não é coisa pra mulher. Ir no estádio, menos ainda.

Felizmente as coisas mudaram, e numa luta diária, a gente tenta fazer o mundo entender, que lugar de mulher é, de fato, onde ela quiser.

Pula pra 2015.

Entro no estádio, para mais um jogo qualquer do ano, e me deparo antes do jogo começar, com um grupo de meninas atrás do gol, fantasiadas de “Cheerleaders”. Saia curta, meia até o joelho, cabelos esvoaçantes, hiper maquiadas e….balançando pompons (eu vou repetir: P-O-M-P-O-N-S ) enquanto protagonizavam – ou agonizavam – uma coreografia aeróbica um tanto quanto desordenada.

Imaginei que fosse alguma ação do clube (às vezes esse povo do marketing inventa umas paradas que a gente custa a entender né…). Não era. Era apenas um novo “atrativo” do estádio. Um entretenimento.

Tipo assim…o cabra tá lá fervendo de ódio daquela zaga miserável e dá uma contemplada nos pompons pra dar uma relaxada. Uma xingada no juiz, e um “vem balançar um pompom lá em casa, deusa”! (o “deusa” foi uma figura de linguagem, usada para substituir os termos mais chulos costumeiramente usados). E assim seguia. O jogo todo, cada tempo atrás de uma goleira, o ritual das mocinhas fantasiadas de “cheearleaders”

Pra quem não sabe, as Cheearleaders, são as chefes de torcidas, muito vistas no futebol americano.
Suponho que alguém, em alguma reunião produtiva da direção, em meio a uma Brainstorming, tenha sacado: E se a gente imitasse os gringos? Tem tudo pra dar certo, caras!

Só que não.

Foi péssimo. Foi de mau gosto, foi fora de contexto, foi cafona, foi machista e definitivamente NADA artístico. A mulher usada como figura decorativa, pode ainda funcionar na mente retrógrada da sociedade machista que estamos inseridos. Como entretenimento de um público misto, composto de homens, mulheres, bi, trans, gays, jovens, idosos, crianças…definitivamente NÃO.

E super importante esclarecer: nada contra as meninas que estavam lá fazendo algo para o qual foram contratadas. E mais: quer se vestir de “cheerleader”, enfermeira, salva-vidas sexy, bombeira, mulher gato, vai FIRME, amiga. Se joga do lustre! A gente é livre pra fazer o que quiser, com quem quiser, onde quiser.

Entretanto, quando uma instituição do E-S-P-O-R-T-E vende isso como atrativo para chamar público ao estádio, eu preciso lembrar que nem precisava o esforço. Basta jogar direitinho e com vontade. Afinal, D’Alessandro não balança pompons e a gente vai lá, toda prosa ver ele jogar.

Mas como eu adoro histórias com final feliz, a boa notícia é que as Cheerleaders não existem mais no Beira-Rio. Parece que foram embora, após a saída da nossa adorável última direção. (encontre a ironia na frase).

E que essas ideias estapafúrdias, não apareçam mais por lá.

Pênalti, a gente sabe que não foi!

Por Gabi Chanas em Coloradas

Eu tenho alguma dificuldade em falar sobre um assunto quando ele ainda está fervilhando. Prefiro ouvir algumas opiniões, apurar o que de fato aconteceu, deixar a poeira baixar e assim tirar minhas conclusões.
Portanto voltarei a um tema que esteve em voga no último final de semana: o pênalti marcado pelo Sr. Daniel Real, no jogo Inter e Juventude.

Pra quem chegou de Marte ontem, e não sabe do que se trata, o juiz marcou um pênalti que claramente não existiu, alegando que o lateral Junio do Inter, teria batido com a mão na bola, sendo que a bola bateu no peito dele.

Até aí, nada de novo. Poderíamos citar infinitos exemplos de pênaltis não marcados e marcados de forma equivocada. A questão aqui, não é essa. A questão é que, os auxiliares (bem melhores posicionados que o juiz), alertaram-no de que não havia sido pênalti, e que a bola havia mesmo batido no peito. Ele não ouviu. Chamou a responsabilidade pra si, e irredutível confirmou a penalidade que, convertida, deu a vitória ao Juventude.

E diante de tudo que foi visto, lido e falado, pra mim há uma conclusão muito clara. O juiz deu o pênalti porque se enganou. Mas ele confirmou o pênalti por arrogância.


Eu tive um colega de trabalho que falava I-O-R-G-U-T-E. A cada vez que alguém corrigia ele dizendo: “Fulano, o certo é IOGURTE, e não IORgute”, ele respondia: “Eu sei, mas eu gosto de falar assim”. Ele sabia que estava errado. Todo mundo já havia ensinado. Mas a arrogância nunca lhe permitiu voltar atrás.

A questão é: 2017 e um jogo de futebol ainda é definido por birra. Por alguém que decidiu se mostrar como protagonista e ter os holofotes pra ele. Evidente que ele estava convicto logo que marcou a penalidade, mas depois de ouvir os auxiliares, decidiu bancar pra mostrar quem manda, e apostou alto. E perdeu feio.

A solução? Simples e objetiva. O maravilhoso advento da TV. Assim como no vôlei. Ficou em dúvida em um lance decisivo? Olha o replay.

E não me venham com essa conversa de que isso tiraria a emoção do jogo, porque ainda usando o exemplo do voleibol, o jogo ficaria ainda mais emocionante. Há pontos no vôlei que são comemorados duas vezes. Uma quando marca, e outro quando confirma pelo replay que foi bola dentro/fora.

Já pensou o quanto a gente ia comemorar aquele pênalti no Tinga? (2005).

É meus caros, a tecnologia pode mudar a história. A arrogância, idem.